SÃO PAULO, 24 de Fevereiro (Reuters) – A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou nesta terça-feira uma plataforma destinada a monitorar as extensas plantações de café do Brasil e identificar se os grãos estão sendo cultivados em áreas desmatadas desde 2020.
A plataforma para o setor cafeeiro foi desenvolvida em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e integrará bancos de dados governamentais e monitoramento por satélite, visando garantir a rastreabilidade do café. A Conab destacou que essa iniciativa fortalecerá a competitividade da indústria cafeeira nacional.
O lançamento da plataforma ocorre antes da esperada implementação da lei anti-desmatamento da União Europeia, conhecida como EUDR, que proíbe a importação de commodities associadas a terras desmatadas após 31 de dezembro de 2020.
Apesar dos atrasos, a lei EUDR deve impactar grandes operadores e comerciantes a partir do final deste ano, enquanto pequenas empresas terão um prazo até 30 de junho de 2027 para se adequar.
As exportações brasileiras de café para a UE alcançam cerca de US$7 bilhões anualmente, conforme informou Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), durante a cerimônia de lançamento da plataforma.
“A União Europeia representa cerca de 44% do nosso mercado de café”, afirmou Matos.
O Brasil é o maior produtor mundial de café arábica e o segundo maior na produção de cafés canéforas (robusta e conilon). Para 2026, a Conab projeta que a produção total atinja um recorde de 66,2 milhões de sacas de 60 kg.
A plataforma servirá para demonstrar que o café brasileiro é livre de desmatamento e de invasão de terras pertencentes a comunidades indígenas e quilombolas, afirmou o presidente da Conab, Edegar Pretto.
“O café brasileiro, reconhecido pela qualidade, agora também será sinônimo de rastreabilidade e confiança”, acrescentou Pretto.
(Por Oliver Griffin)











