As variedades Arábica e Robusta avançaram nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (2), impulsionadas por preocupações logísticas, enquanto as projeções de safra recorde no Brasil limitam os ganhos mais expressivos.
O mercado internacional de café fechou esta segunda-feira (2) com uma valorização significativa nas bolsas de Nova York e Londres, motivada pelo aumento dos custos globais de frete em decorrência da intensificação do conflito envolvendo o Irã e suas repercussões no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
O Café Arábica para maio encerrou com um aumento de 3,85 pontos, equivalente a 1,37%. Entre os principais vencimentos, o março/26 foi cotado a 288,35 cents por libra-peso. O maio/26 fechou a 284,60 cents por libra-peso, enquanto o julho/26 terminou o dia a 279,70 cents por libra-peso, com uma valorização de 3,80 pontos.
No que diz respeito ao Café Robusta, os contratos também apresentaram um avanço expressivo. O março/26 fechou a US$ 3.842 por tonelada. O maio/26 foi cotado a US$ 3.772 por tonelada, com um ganho de US$ 148 por tonelada no dia, e o julho/26 fechou a US$ 3.676 por tonelada. A variedade robusta atingiu seu maior nível em duas semanas.
O principal fator que sustentou os preços foi a preocupação com a oferta, em razão da interrupção de grande parte do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o comércio global. A alta das taxas de frete, junto com os custos de seguro e do combustível, eleva o custo final para importadores e torrefadores, criando um cenário que tende a manter as cotações elevadas no curto prazo.
Apesar do avanço, os ganhos do arábica foram parcialmente limitados por notícias positivas do campo. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, a maior região produtora da variedade no Brasil, recebeu 78 milímetros de chuva na semana encerrada em 20 de fevereiro, um volume correspondente a 131% da média histórica. As chuvas melhoraram as condições das lavouras e aumentaram as expectativas de recuperação produtiva.
O mercado também permanece atento às projeções da Companhia Nacional de Abastecimento, que estima que a safra brasileira de 2026 poderá alcançar 66,2 milhões de sacas, um aumento de 17,2% em relação ao ano anterior. A produção de arábica deve chegar a 44,1 milhões de sacas, um avanço de 23,2%, enquanto a produção de robusta pode totalizar 22,1 milhões de sacas, um crescimento de 6,3%.
No cenário internacional, o Rabobank prevê uma produção global recorde de 180 milhões de sacas na safra 2026/27, cerca de 8 milhões a mais do que no ciclo anterior. Ademais, o Vietnã registrou um aumento significativo nas exportações em janeiro, com uma alta de 38,3% em comparação anual, reforçando a perspectiva de uma oferta mais confortável no médio prazo.
Após cinco semanas consecutivas de queda, período em que o arábica atingiu seu menor nível em 15 meses e o robusta recuou ao menor patamar em quase sete meses, o mercado encontra suporte pontual nas tensões geopolíticas e nos altos custos logísticos. No entanto, as estimativas de uma safra robusta no Brasil e no contexto global continuam a ser um fator de equilíbrio para as cotações nos próximos meses.









