O Brasil, reconhecido como o maior produtor e exportador de café no mundo, está projetado para alcançar uma safra histórica de 75,3 milhões de sacas de 60 kg na temporada 2026/27, representando um aumento de 20,8% em comparação com a temporada anterior, impulsionado pela produtividade das plantações de arábica. Essa estimativa foi divulgada nesta quinta-feira (12) pela consultoria e corretora StoneX.
Esse número reflete uma revisão positiva de 6,5% em relação à previsão inicial apresentada em novembro, logo após as floradas, com uma expectativa de produção melhorada para as variedades arábica e canéforas (robusta e conilon).
A significativa colheita no Brasil, que deve ter início no próximo mês com os grãos canéforas, contribuirá para a recuperação dos estoques globais, após anos de safras abaixo do esperado.
“A safra 2025/26 foi fortemente afetada por condições climáticas desfavoráveis. Por outro lado, a safra 2026/27 demonstra uma recuperação em relação ao ciclo anterior. Entretanto, esse potencial poderia ser ainda maior, pois o clima não foi totalmente benéfico durante o período de florada”, comentou Leonardo Rossetti, especialista em Inteligência de Mercado da StoneX.
Ele destacou em um relatório que o atraso e a irregularidade das chuvas causaram o abortamento de flores e diminuíram o número de frutos por roseta, um efeito observado em todas as regiões produtoras de arábica. Contudo, chuvas favoráveis posteriores contribuíram para o aumento da produção.
“Na segunda visita a campo da StoneX, algumas dessas lavouras apresentaram uma melhor taxa de pegamento do que a inicialmente prevista. Assim, houve uma revisão positiva dos números em todas as regiões monitoradas”, afirmou.
O analista ressaltou que o resultado da produção brasileira também é atribuído à ampliação das áreas cultivadas nos últimos anos, que agora estão em produção, juntamente com o avanço tecnológico e o aprimoramento genético, após um período de preços elevados.
A produção de arábica, que representa a maior parte da produção nacional, deverá ter um aumento anual de 37,5%, ultrapassando pela primeira vez o patamar de 50 milhões de sacas (50,2 milhões), em comparação com 47,2 milhões de sacas previstas em novembro.
Para os canéforas, a StoneX prevê uma redução de 2,8% na produção, após um recorde no ciclo anterior. Mesmo assim, a colheita deverá exceder 25 milhões de sacas, em comparação com 23,5 milhões na previsão de novembro.
Além do aumento na área cultivada, houve também um avanço “significativo” em tecnologia e no uso de materiais genéticos mais produtivos. “No todo — genética, tecnologia e expansão do parque cafeeiro — observamos um salto importante na produção no Brasil nos últimos cinco anos”, afirmou Rossetti, ao comentar sobre o cenário para os canéforas.
Na temporada 2021/22, o Brasil produziu 20 milhões de sacas de canéfora e 33,7 milhões de sacas de arábica.
Considerando as duas variedades, o aumento em cinco anos supera 20 milhões de sacas, um volume maior do que toda a safra anual da Colômbia, o terceiro maior produtor mundial de café.











