A Cooxupé participou do Estudo de Base da Pegada de Carbono do Café na América Latina, um projeto colaborativo gerenciado pela 4C Services GmbH, uma empresa alemã de destaque na gestão de certificações de sustentabilidade para o setor cafeeiro. Este projeto é apoiado pelo Sustainable Coffee Challenge, uma coalizão global composta por mais de 120 parceiros, comprometida em tornar o café o primeiro produto agrícola completamente sustentável no mundo. A iniciativa avaliou as emissões de gases de efeito estufa na produção de café em cinco países: Brasil, Colômbia, Honduras, México e Peru.
O estudo analisa a eficiência dos sistemas produtivos em relação às emissões de carbono até a entrada da fazenda, levando em conta etapas como uso de insumos, manejo da lavoura, consumo de energia, transporte e processamento na propriedade. O objetivo é criar uma base comparativa entre os países produtores e apoiar estratégias de mitigação climática no setor.
Eficiência produtiva e redução de emissões no campo
A Cooxupé participou do projeto através do envolvimento direto de seus cooperados, que forneceram informações sobre suas práticas produtivas, coletadas por meio de uma metodologia padronizada e alinhada a protocolos internacionais de contabilidade de carbono.
A pesquisadora Renata Gonçalves, que coordena o projeto, afirma que este modelo é o primeiro desenvolvido especificamente para a cultura do café. Ela destaca que a metodologia segue padrões reconhecidos internacionalmente, como o GHG Protocol, que é uma referência global para inventários de emissões.
“A adaptação à realidade da cafeicultura exigiu a coleta detalhada de dados em campo, incluindo análises do carbono armazenado no solo em diferentes idades de lavoura, condições de relevo e sistemas de manejo”, explica.
O pesquisador João Paulo da Silva ressalta que o cruzamento dessas informações com o banco de dados históricos da Cooxupé possibilitou a definição de parâmetros mais precisos sobre a variação do carbono no solo das propriedades cafeeiras.
Pegada de carbono do café pode impactar até a qualidade da bebida
Os pesquisadores enfatizam que práticas sustentáveis também podem influenciar a qualidade do café. O aumento da matéria orgânica no solo melhora a disponibilidade de nutrientes para as plantas, reduzindo a necessidade de adubação e potencializando o desenvolvimento de frutos com melhor padrão sensorial.
Os resultados mostram que a maior parte das emissões está concentrada nas atividades realizadas dentro da propriedade, com destaque para o uso de fertilizantes, que é o principal fator de emissão na cafeicultura, representando cerca de 68% do total no café arábica brasileiro. O manejo de resíduos vem em seguida, enquanto o transporte, energia e águas residuais têm uma participação menor.
No Brasil, o transporte é responsável por cerca de 2% das emissões totais, enquanto o tratamento de águas residuais tem um impacto marginal, próximo de 0,02%. Os dados reforçam que as estratégias de mitigação mais eficazes estão intimamente ligadas à gestão realizada dentro da propriedade.
“A participação da Cooxupé neste estudo reforça a importância de mensurar e compreender as emissões na cafeicultura para orientar ações mais eficientes no campo. Os resultados demonstram que a redução das emissões está diretamente relacionada à eficiência no uso de insumos, ao manejo adequado dos resíduos e à adoção de boas práticas agrícolas. Esse é um caminho que já vem sendo desenvolvido junto aos cooperados, com foco em produtividade aliada à sustentabilidade”, destaca Luiz Fernando dos Reis, superintendente comercial da Cooxupé.
Dados que orientam decisões mais sustentáveis na cafeicultura
Além disso, solos mais equilibrados ajudam a aumentar a resiliência diante de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, geadas e períodos prolongados de seca, que se tornam cada vez mais frequentes nas regiões produtoras.
Sustentabilidade como exigência de mercado
Além da preocupação ambiental, a solução desenvolvida atende a uma demanda crescente do mercado internacional. Compradores têm exigido cada vez mais comprovações de práticas sustentáveis e estratégias de mitigação de emissões para manter relações comerciais.
Dessa forma, a ferramenta gerada pela pesquisa se integra ao Protocolo de Sustentabilidade Gerações, um programa da Cooxupé voltado à promoção de boas práticas econômicas, sociais e ambientais.
“A mensuração das emissões é um passo fundamental para avançarmos em sustentabilidade, permitindo que o produtor tenha dados concretos para a tomada de decisão e o fortalecimento de sua atuação no mercado”, destaca Natália Fernandes Carr, gerente ESG da cooperativa.
O estudo também ressalta o papel de componentes como árvores de sombra e cultivos consorciados, que contribuem para o estoque de carbono e para a sustentabilidade dos sistemas produtivos. O levantamento envolve empresas, organizações e especialistas do setor cafeeiro, focando na geração de dados e no avanço das estratégias climáticas na cadeia do café.











