Os preços do café encerraram a quinta-feira (21) em alta, devido a preocupações de que o fenômeno El Niño possa impactar a safra brasileira no próximo ciclo. Esse movimento resultou na cobertura de posições vendidas nos contratos futuros, após um período recente de pressão sobre os preços, conforme análise do Barchart.
De acordo com a Commercial Coffee Trading, o provável retorno do El Niño pode atrasar as chuvas no Brasil entre setembro e outubro, um período geralmente caracterizado pela florada do café. Se isso acontecer, o desenvolvimento da safra brasileira poderá ser comprometido.
A inquietação aumentou com o relatório da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgado na última quinta-feira (14), que passou a estimar 82% de chance de o El Niño se estabelecer entre maio e julho deste ano.
Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do café arábica tiveram alta. O vencimento julho/26 subiu 5,10 pontos (+1,90%), fechando a 273,40 cents/lbp. O setembro/26 aumentou 5,00 pontos (+1,92%), para 265,50 cents/lbp. O dezembro/26 registrou um ganho de 4,35 pontos (+1,72%), encerrando a 257,25 cents/lbp, enquanto o março/27 avançou 4,30 pontos (+1,72%), cotado a 254,95 cents/lbp.
Em Londres, os contratos do café robusta também finalizaram a sessão com valorização. O julho/26 subiu 71 pontos (+2,13%), encerrando a sessão a US$ 3.399/tonelada. O setembro/26 avançou 51 pontos (+1,59%), para US$ 3.265/tonelada. O novembro/26 ganhou 51 pontos (+1,62%), cotado a US$ 3.195/tonelada, enquanto o maio/26 teve alta de 55 pontos (+1,54%), fechando a US$ 3.622/tonelada.
Apesar da recuperação nos preços, o mercado continua atento às expectativas de uma oferta elevada de café no Brasil. Nesta quarta-feira, o diretor comercial da exportadora Eisa, Carlos Santana, declarou à Reuters que o país pode alcançar uma safra recorde em 2026/27, o que deve resultar em exportações maiores já no segundo semestre.
Nesta quinta-feira, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a safra brasileira de café em 66,7 milhões de sacas de 60 kg em 2026, aumentando a previsão anterior em cerca de 500 mil sacas. Para o café arábica, a estimativa é de 45,8 milhões de sacas.
O banco Rabobank, por sua vez, projetou uma recuperação de 27,5% na safra de arábica do Brasil em 2026/27, totalizando 48,7 milhões de sacas, após levantamento realizado em regiões produtoras.
Por outro lado, representantes do setor produtivo em Minas Gerais afirmam que, embora a safra de café arábica de 2026 deva ser positiva, ainda não há indícios de que o volume supere o recorde de 2020.
Lideranças de cooperativas consultadas pela Reuters indicam que a produção pode se aproximar daquele patamar, mas tende a ficar mais próxima de anos recentes considerados bons. Há também a avaliação de que um eventual recorde brasileiro pode resultar da soma entre arábica e robusta, e não necessariamente do arábica isoladamente.



















