O café arábica fechou o dia com uma alta de 1,33% em Nova York, enquanto o robusta teve uma valorização de 0,18% em Londres; o ritmo lento da colheita e as incertezas climáticas permanecem como preocupações no mercado.
As bolsas internacionais de café terminaram a segunda-feira (20) em alta, mantendo a tendência positiva observada na semana anterior. O mercado continua sendo impulsionado pelo atraso na colheita brasileira, pelos estoques globais limitados e pelas incertezas em relação ao clima para a próxima safra, fatores que continuam restringindo a oferta disponível e aumentando a volatilidade das negociações.
Na ICE Futures US, o contrato de setembro/26 do café arábica fechou a 324,55 cents/lbp, com uma alta de 425 pontos. O vencimento de dezembro/26 subiu 565 pontos, encerrando o dia a 309,45 cents/lbp.
Na ICE Europe, o robusta também terminou o dia em alta. O contrato de setembro/26 fechou a US$ 3.884 por tonelada, com um aumento de US$ 7, enquanto o contrato de novembro/26 subiu US$ 22, sendo negociado a US$ 3.851 por tonelada.
O principal suporte para os preços continua a ser o ritmo lento da colheita no Brasil. De acordo com levantamento da Safras & Mercado, os trabalhos estão ocorrendo abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano anterior e também da média dos últimos cinco anos, gerando preocupações sobre a disponibilidade de café no curto prazo.
Além da oferta mais limitada, o mercado continua atento às condições climáticas para o ciclo 2026/27. Durante o Fórum Café e Clima, promovido pela Cooxupé, especialistas salientaram que as condições relacionadas ao El Niño requerem monitoramento constante, especialmente devido aos possíveis impactos sobre as floradas, o desenvolvimento das lavouras e a produtividade da próxima safra. Embora ainda não se tenham perdas consolidadas, o cenário climático aumenta a cautela entre os agentes do mercado.
Outro fator que sustenta os preços é o comportamento das exportações brasileiras. Segundo o Boletim Carvalhaes, os embarques de café arábica no primeiro semestre de 2026 alcançaram o menor volume para o período desde 2018, reflexo da menor disponibilidade do grão após duas safras consecutivas de oferta reduzida. O desempenho confirma o cenário de estoques reduzidos, tanto no Brasil quanto no mercado internacional.
No mercado físico brasileiro, as transações continuam a ocorrer de forma seletiva. Com a colheita avançando lentamente e incertezas ainda presentes sobre a qualidade de parte da safra, muitos produtores estão realizando vendas pontuais, enquanto os compradores disputam lotes de melhor qualidade. Esse equilíbrio entre oferta restrita e demanda ativa mantém os preços internos sustentados, mesmo diante da elevada volatilidade observada nas bolsas internacionais.







