Por Marcelo Teixeira
NOVA YORK, 14 Ago (Reuters) – A normalização da logística do café na Colômbia, com a retomada do fluxo de grãos para um importante porto de exportação e, a partir daí, para os mercados internacionais, pode levar até duas semanas, enquanto a reparação das instalações de beneficiamento pode exigir um tempo maior, afirmaram especialistas do setor nesta sexta-feira.
O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o coração da região cafeeira colombiana resultou na morte de quase 300 pessoas e provocou deslizamentos de terra em diversas estradas utilizadas pelos produtores para transportar o café das fazendas até os armazéns e, consequentemente, até o principal porto de exportação, Buenaventura.
“Nossa previsão é que levará cerca de 15 dias para que o fluxo de café se normalize”, declarou Carlos Santana, diretor da Ecom, uma empresa global de comercialização de café.
A Colômbia é responsável por cerca de 25% do café consumido nos Estados Unidos, que é o maior mercado mundial para o grão.
“O porto não está fechado, mas é complicado fazer com que o café chegue até lá, e há também vários armazéns que sofreram danos estruturais”, acrescentou ele.
A ATM Terminals, empresa que opera o porto de Buenaventura, informou que as operações estão sendo retomadas de forma gradual, incluindo a movimentação nos armazéns portuários de café e açúcar, mas o porto ainda não está disponível para receber mais contêineres cheios para exportação.
A usina de secagem gerida pela comercializadora Caravela Coffee em Armênia, localizada no centro-oeste do principal cinturão cafeeiro da Colômbia, sofreu danos estruturais e em suas máquinas devido ao terremoto, segundo informou a empresa.
A empresa compartilhou nas redes sociais um vídeo de uma câmera de segurança que mostra o momento do tremor. A usina é utilizada para beneficiar café verde e prepará-lo para exportação.
“Ainda não sabemos quando conseguiremos retomar as operações com segurança. Também estamos lidando com a falta de energia elétrica na usina”, disse Alejandro Cadena, diretor executivo da Caravela.
A pausa temporária nas remessas da Colômbia diminuirá a disponibilidade de café.
“O evento ocorre em um momento em que os estoques de arábica certificado pela ICE já estão escassos, restringindo a oferta no mercado à vista, enquanto compradores estão buscando o Brasil para ajudar a compensar quaisquer interrupções na Colômbia”, afirmou a Expana, uma agência de análise e divulgação de preços.








