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Resiliência climática do café robusta é um

Pesquisador Afirma que a Resiliência Climática do Café Robusta É um “Mito da Internet”

Um novo estudo desafia a avaliação amplamente aceita de que o café robusta é mais resistente às mudanças climáticas em comparação com outras variedades. O principal autor da pesquisa descreveu essa crença como um “mito da internet”, fundamentado em estudos falhos que desconsideraram a intolerância da planta à seca e outras vulnerabilidades.

Frequentemente subestimado como um produto de menor valor em comparação aos grãos arábica, dezenas de milhões de sacas de café robusta são comercializadas globalmente a cada ano, a maior parte originária do Vietnã e do Brasil.

As conclusões, divulgadas na quinta-feira (27) na revista “Sustainable Development”, representam um desafio para aqueles que defendem o robusta como uma solução para as mudanças climáticas no setor cafeeiro.

Com o aumento da demanda pelo robusta em todo o mundo, qualquer reavaliação de sua resiliência climática impacta agricultores, comerciantes e consumidores.

Neste mês, uma autoridade do setor cafeeiro vietnamita informou à Reuters que a adaptação às mudanças climáticas se tornou uma necessidade urgente, não mais uma preocupação futura, para proteger a produção.

A mídia, agricultores e pesquisadores frequentemente ressaltam a resistência do robusta ao calor como a resposta da indústria cafeeira às alterações climáticas. Contudo, o novo artigo constatou que as avaliações anteriores devem ser vistas, na melhor das hipóteses, como provisórias. O estudo apontou erros de pesquisa, como considerar fazendas irrigadas como locais ideais para cultivo.

A maior resiliência do robusta às mudanças climáticas é um “mito da internet” que surgiu há aproximadamente uma década, afirmou Aaron Davis, líder sênior de pesquisa em culturas e mudanças globais do Royal Botanic Gardens, Kew, e principal autor do estudo, em entrevista à Reuters na quinta-feira.

“Fiquei preocupado ao perceber que as pessoas não estavam interpretando a ciência corretamente e estavam promovendo o robusta como a solução do setor cafeeiro diante das mudanças climáticas”, disse Davis.

“O robusta é mais tolerante ao calor do que o arábica, mas possui baixa tolerância à seca.”

O artigo revelou que países produtores como Brasil, Vietnã e Índia não apresentam condições climáticas ideais para o cultivo do robusta, destacando a necessidade de irrigação para garantir que as plantas de café recebam água suficiente e mantenham a rentabilidade.

Pesquisas anteriores buscavam enfatizar a resiliência do robusta, sugerindo que os grãos eram mais resistentes à seca, apresentando um benefício para os agricultores.

Qualquer expansão da produção de café robusta deve considerar as vulnerabilidades da cultura, conforme afirma o estudo, que acrescenta que produtores em algumas regiões já enfrentam sérios desafios com a disponibilidade de água para irrigação.

O estudo também ressaltou que existem riscos associados à dependência da irrigação para a rentabilidade do robusta e possivelmente até para sua sobrevivência.

“O abastecimento global de café necessita de grandes mudanças estruturais e sistêmicas”, afirmou Davis, “para que possa sobreviver a longo prazo”.

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