A Organização Internacional do Café (OIC) estima que o mercado mundial terá, na temporada 2025/26, o primeiro superávit de café em quatro anos. O balanço projetado considera produção de 183,6 milhões de sacas e consumo de 180,6 milhões, uma diferença de aproximadamente 3 milhões de sacas.
O resultado indica uma oferta global maior do que a demanda estimada, mas não significa que os preços cairão automaticamente nem que haverá excesso disponível em todos os países. O mercado ainda depende de estoques, logística, qualidade, câmbio, clima e do ritmo de consumo.
Produção mundial deve chegar a 183,6 milhões de sacas
Segundo o relatório mensal da OIC divulgado em setembro e reportado pela publicação especializada Comunicaffe, a produção global de café em 2025/26 deve crescer 4,4% em relação à temporada anterior, alcançando 183,6 milhões de sacas.
O arábica representa 104,4 milhões de sacas, alta de 2,8%, enquanto a produção de robusta é estimada em 79,2 milhões, crescimento de 6,5%. A expansão das duas espécies contribui para ampliar a oferta internacional, embora a disponibilidade varie conforme a origem e o período de colheita.
Consumo estimado em 180,6 milhões de sacas
A OIC projeta consumo mundial de 180,6 milhões de sacas, queda de 0,8% ante o recorde de 182,2 milhões registrado em 2024/25. A diferença entre produção e consumo forma o superávit estimado para o ciclo.
A redução projetada não deve ser interpretada como desaparecimento da demanda. O consumo continua elevado e concentrado em grandes mercados, mas custos, renda, estoques e preços podem influenciar o ritmo de compras e a composição entre arábica e robusta.
Europa continua como principal mercado
Na temporada anterior, a Europa respondeu por 30,1% do consumo mundial, à frente da Ásia e Oceania, com 27,8%. A distribuição regional ajuda a explicar por que mudanças no consumo de grandes mercados podem afetar fluxos de exportação e decisões de compra em países produtores.
O que é um superávit de café
Superávit é a situação em que a produção estimada supera o consumo estimado em determinado período. Ele é um balanço estatístico, não uma medida direta de café parado em armazéns nem uma garantia de que todos os compradores encontrarão o produto nas mesmas condições.
Estoques iniciais, perdas, diferenças de qualidade, transporte e o momento de entrada das safras também influenciam a disponibilidade efetiva. Por isso, o número global precisa ser lido junto com os indicadores de cada origem e de cada tipo de café.
Por que o mercado ainda pode ter volatilidade
O ciclo anterior foi revisado para déficit
A OIC revisou para baixo a estimativa de produção mundial de 2024/25, para 175,9 milhões de sacas. Com a revisão, o ciclo anterior passa a apresentar déficit estimado de 6,3 milhões de sacas, em vez do superávit de 2,443 milhões indicado no relatório anterior.
Essa mudança mostra que as estimativas podem ser atualizadas à medida que chegam novos dados de produção, consumo e comércio. O superávit projetado para 2025/26 não elimina o efeito de anos anteriores com oferta mais apertada.
Estoques e logística continuam importantes
O relatório aponta que as exportações globais de todas as formas de café em julho chegaram a 12,235 milhões de sacas, alta de 3,3%. O crescimento foi puxado pelo robusta, enquanto os embarques de arábica recuaram.
Nos dez primeiros meses do ano cafeeiro 2025/26, as exportações somaram 118,386 milhões de sacas, praticamente estáveis na comparação anual. A diferença entre os tipos é relevante: as exportações de robusta cresceram, enquanto as de arábica caíram.
Impactos possíveis para o café brasileiro
Uma oferta global mais confortável pode limitar altas sustentadas quando coincidir com aumento de embarques e estoques. O Brasil, como grande produtor e exportador, pode sentir esse efeito especialmente quando a nova safra chega ao mercado em maior volume.
Por outro lado, problemas climáticos, atrasos logísticos, estoques reduzidos ou demanda maior que a prevista podem reduzir ou inverter a pressão. Em agosto, as exportações brasileiras registraram recorde para o mês, mas esse dado deve ser analisado com os indicadores globais e com a composição entre arábica, conilon e robusta.
Veja a análise do Café Manhuaçu sobre o recorde brasileiro de exportações de café em agosto.
O que o produtor deve acompanhar
O produtor de Manhuaçu, da Zona da Mata e de outras regiões deve evitar usar o superávit global como uma referência automática para decidir a venda. Qualidade do lote, custo de armazenagem, necessidade de caixa, diferencial de bebida, câmbio e condições do comprador continuam determinantes.
A formação da cotação oficial exibida pelo Café Manhuaçu possui processo próprio e não foi alterada por este artigo. O balanço da OIC é um indicador internacional de oferta e demanda, não uma cotação local.
Uma estimativa, não uma certeza de mercado
O primeiro superávit projetado em quatro anos sinaliza uma possível recomposição da oferta mundial na temporada 2025/26. Ainda assim, a produção e o consumo podem ser revisados, e a distribuição física do café continuará desigual entre origens e mercados.
Para o setor brasileiro, a melhor leitura é combinar o dado global com exportações, estoques, clima, qualidade e ritmo de comercialização. Assim, o produtor consegue avaliar o cenário com mais contexto e sem depender de um único indicador.
Fontes consultadas: Comunicaffe, com base no relatório mensal da Organização Internacional do Café.



















