O café arábica registra uma queda superior a 700 pontos, enquanto o robusta também apresenta recuo; a expectativa de maior oferta no Brasil pressiona os preços.
Na quinta-feira (16), o mercado do café fechou com uma expressiva redução nas bolsas internacionais, resultado de um movimento de ajuste em função das previsões de aumento na oferta, com a colheita no Brasil se aproximando. A diminuição foi observada tanto no arábica quanto no robusta, refletindo a alteração na percepção dos operadores sobre a disponibilidade de produto nas semanas seguintes.
Na Bolsa de Nova York, o café arábica encerrou em baixa em toda a curva. O contrato para maio/2026 fechou a 296,45 cents/lb, apresentando uma queda de 780 pontos. O julho/2026 finalizou a 290,40 cents/lb, com uma redução de 785 pontos. O setembro/2026 terminou a 277,35 cents/lb, recuando 675 pontos. O dezembro/2026, por sua vez, fechou a 268,95 cents/lb, com uma baixa de 655 pontos.
Em Londres, o robusta também encerrou em desvalorização. O contrato para maio/2026 terminou a US$ 3.474 por tonelada, com uma queda de 54 pontos. O julho/2026 fechou a US$ 3.347 por tonelada, apresentando uma baixa de 47 pontos. O setembro/2026 finalizou a US$ 3.278 por tonelada, com um recuo de 44 pontos. Já o novembro/2026 terminou a US$ 3.220 por tonelada, com uma queda de 47 pontos.
Do ponto de vista do mercado brasileiro, o principal fator que pressiona os preços é a antecipação da nova safra. Com a colheita começando gradualmente em regiões produtoras, o mercado começa a considerar um aumento na disponibilidade física, o que reduz os prêmios que antes eram incorporados às cotações.
Adicionalmente, a dinâmica da comercialização também influencia. Muitos produtores ainda possuem volumes remanescentes, e a proximidade da colheita aumenta a chance de novas ofertas, o que colabora para o ajuste negativo nas cotações futuras. Esse movimento é característico dos períodos de transição entre safras, quando o mercado se antecipa a um maior fluxo de café.
Outro aspecto a ser considerado é que, mesmo com os estoques ainda baixos, a expectativa de uma recomposição da oferta a partir de maio diminui a urgência de compras por parte dos compradores internacionais. Com a necessidade imediata de cobertura reduzida, os preços passam por uma correção técnica mais acentuada.
Para o produtor rural brasileiro, o fechamento do dia indica uma mudança no ritmo do mercado. A queda generalizada demonstra que as bolsas já começam a levar em conta o avanço da safra, o que pode resultar em maior volatilidade nas próximas semanas e exige atenção às oportunidades de fixação, principalmente antes da entrada mais significativa da colheita.











