No ano de 2025, o estado registrou a colheita de aproximadamente 584 mil sacas, representando um aumento de 50% em comparação a 2024. Em nível nacional, a produção alcançou um recorde histórico de 20,8 milhões de sacas.
A cultura do café conilon tem avançado de maneira constante em Minas Gerais, impulsionada pela adaptação da espécie a regiões mais quentes e secas do estado, além da crescente demanda da indústria de café solúvel. Embora ainda represente uma fração menor em comparação ao arábica, o conilon é atualmente a espécie de café que mais cresce proporcionalmente no território mineiro, diversificando e fortalecendo a resiliência da cafeicultura no estado.
Um dos principais motores desse crescimento é a expansão do mercado de café solúvel. O conilon apresenta um rendimento superior de sólidos solúveis, uma característica essencial para a indústria de cafés instantâneos e bebidas prontas para o consumo. O aumento da demanda global, especialmente na Ásia e na Europa, tem elevado o interesse pela matéria-prima e incentivado novos investimentos na cultura.
Conforme a analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Ana Carolina Gomes, o crescimento do conilon é mais notório em regiões que historicamente não eram consideradas centros tradicionais de cultivo de café, como o Norte de Minas, o Vale do Jequitinhonha, o Vale do Rio Doce e áreas de transição no Noroeste mineiro. “Com temperaturas mais altas e altitudes mais baixas, essas regiões têm uma aptidão maior para o cultivo, especialmente com o uso de irrigação”, explica.
Além das condições climáticas favoráveis, a rentabilidade também tem incentivado os produtores. Nos últimos anos, o conilon apresentou significativas altas nos preços internacionais, influenciadas por frustrações de safra em importantes países produtores, como Vietnã e Indonésia. A cultura também demonstra maior estabilidade produtiva, com menor influência da bienalidade, uma característica comum ao café arábica.
“É importante ressaltar que o conilon não substitui o arábica; ele complementa a produção. Em diversas propriedades mineiras, os produtores têm adotado sistemas híbridos, combinando ambas as espécies para mitigar riscos climáticos e diversificar as fontes de renda. Essa estratégia também permite a utilização do conilon em áreas menos adequadas para o arábica, fortalecendo a sustentabilidade econômica das fazendas”, destaca Ana Carolina.
Café solúvel amplia demanda
No ano de 2025, o Brasil exportou 84,4 mil toneladas de café solúvel, gerando uma receita cambial de US$ 1,1 bilhão — um crescimento de 21% em relação a 2024. Em Minas Gerais, embora os números ainda sejam menores, o crescimento também é significativo. O estado exportou 5,8 mil toneladas no mesmo período, com um aumento de 2%, totalizando uma receita de US$ 68 milhões, um crescimento de 26%. Os principais mercados compradores incluem os Estados Unidos, Japão, Argentina, países do Leste Europeu e do Sudeste Asiático.
Apesar de representar apenas cerca de 2% da produção cafeeira mineira, o conilon tem mostrado uma expansão contínua. Em 2026, Minas Gerais contará com 11,1 mil hectares dedicados à produção. Nos últimos cinco anos, a área cultivada cresceu 12%, com destaque para a região Leste de Minas, que registrou um aumento de 67%. Em 2025, o estado colheu cerca de 584 mil sacas de conilon, um aumento de 50% em relação a 2024. No Brasil, a produção alcançou um recorde histórico de 20,8 milhões de sacas, um crescimento de 42%.
A produtividade também é notável. Enquanto o arábica produz, em média, entre 20 e 40 sacas por hectare, o conilon pode alcançar entre 40 e 80 sacas por hectare, podendo ultrapassar 100 sacas em sistemas irrigados e tecnificados. Em 2025, a produtividade média em Minas Gerais foi de 53 sacas por hectare, com uma tendência de crescimento para 54,2 sacas em 2026.
Minas Gerais possui condições favoráveis para expandir o cultivo. De acordo com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), mais de 660 municípios mineiros têm aptidão para o cultivo de conilon. Projetos de adaptação varietal conduzidos por instituições de pesquisa também estão em andamento, ampliando as possibilidades de expansão.
Apesar do potencial, a implementação do conilon exige maior tecnificação. Entre os principais desafios estão a necessidade de irrigação eficiente, a obtenção de outorga de água, o manejo de podas mais intensivas, o uso de mudas clonais e um manejo nutricional mais rigoroso.











