Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 15 Jul (Reuters) – As exportações de café do Brasil têm potencial para crescer significativamente no ano-safra 2026/27, que começou em julho, alcançando novamente a marca de 45 milhões de sacas de 60 kg. Isso ocorrerá mesmo com os impactos na qualidade devido às chuvas durante a colheita, afirmou nesta quarta-feira o presidente do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Márcio Ferreira.
Com uma colheita mais robusta, o Brasil, que é o maior produtor e exportador de café do mundo, pode observar um aumento de 17% em suas exportações em comparação ao ciclo 2025/26, que foi impactado por uma oferta reduzida e pelo aumento de tarifas dos EUA, explicou Ferreira.
No ano de 2024/25, o Brasil exportou 45,6 milhões de sacas de café, de acordo com o Cecafé.
As chuvas ocorreram em um “momento inadequado”, comentou o presidente do Cecafé durante uma coletiva de imprensa, lembrando das chuvas atípicas causadas pelo El Niño em junho, uma época em que normalmente a colheita avança em um período mais seco.
Ferreira ressaltou que as condições climáticas antes do início da colheita eram “excepcionalmente” favoráveis, prometendo uma safra que o Brasil não experimentava “há muito tempo”, tanto em quantidade quanto em qualidade.
No entanto, a oferta de grãos de alta qualidade deve ser menor devido aos efeitos das chuvas e à tendência dos produtores de reter o produto até o final, em resposta às incertezas climáticas, explicou Ferreira.
Ele também acrescentou que as chuvas diminuíram a capacidade do Brasil de produzir os “cafés cerejas”, que competem com o grão colombiano e podem ser negociados na bolsa de Nova York.
“Continuaremos a ter uma safra muito boa, (mas) haverá uma readequação na qualidade”, declarou.
Algumas previsões indicam, até agora, que o Brasil está colhendo uma safra recorde em 2026.
PODERIA SER MELHOR
O presidente do Cecafé mencionou que os embarques no segundo semestre de 2026 poderiam ser mais alentadores, não fosse o impacto dos atrasos na colheita devido às chuvas.
“Se não fosse o El Niño, talvez nossos números pudessem ser um pouco melhores”, disse ele, estimando que o ano calendário de 2026 deve encerrar com embarques de 40 milhões de sacas, mantendo-se estável em relação a 2025, depois de um recorde de mais de 50 milhões de sacas em 2024.
“Não é menor do que o esperado. Se não houvesse o incidente climático, haveria mais oferta de cafés finos, mas agora isso é uma incógnita até que a colheita seja concluída.”
Ferreira observou que o atraso na colheita também não incentivou uma antecipação de vendas por parte dos produtores, que adotaram uma postura mais cautelosa, refletida nos embarques de junho.
Nesse contexto, Ferreira afirmou que o mercado tende a ser “bom” para os produtores em termos de preços, acrescentando que a situação invertida na bolsa de Nova York apresenta desafios para os comerciantes.
A inversão de mercado na bolsa ICE, caracterizada por um primeiro vencimento com preços mais altos do que o mês seguinte, também desestimula os produtores a realizarem vendas para entregas futuras, “mantendo os estoques na origem”.
“Os estoques na bolsa não devem aumentar, o que mantém o mercado bastante sólido”, disse Ferreira, lembrando que o dólar está abaixo dos níveis de anos recentes como outro fator.
Portanto, “é essencial que a bolsa se mantenha firme, ou isso reduzirá o interesse de venda dos produtores”, completou.
(Por Roberto Samora Edição de Pedro Fonseca)








