O atraso nas atividades de colheita, a preocupação com a qualidade da safra e a atuação dos fundos estão elevando os preços do café arábica e robusta nas bolsas internacionais.
Os preços do café apresentaram uma forte alta nas bolsas internacionais nesta terça-feira (30), com o mercado reagindo, em grande parte, ao atraso da colheita no Brasil devido às chuvas nas principais regiões produtoras, além da influência dos fundos de investimento.
No decorrer do dia, o contrato setembro/26 do café arábica, negociado na ICE Futures US, subia 1.730 pontos, sendo cotado a 295,10 cents por libra-peso. O vencimento julho/26 tinha um aumento de 435 pontos, alcançando 291,10 cents/lbp, enquanto o contrato dezembro/26 registrava uma alta de 1.775 pontos, negociado a 281,15 cents/lbp.
Na ICE Europe, em Londres, o robusta também viu seus ganhos aumentarem. O contrato setembro/26 avançava 119 pontos, cotado a US$ 3.683 por tonelada. O vencimento julho/26 permanecia sob pressão, com uma queda de 56 pontos, a US$ 3.761 por tonelada, enquanto o novembro/26 subia 125 pontos, sendo negociado a US$ 3.635 por tonelada.
O principal fator que sustenta as cotações continua a ser o atraso na colheita brasileira. De acordo com dados da Somar Meteorologia, Minas Gerais registrou 31,3 milímetros de chuva na semana encerrada em 28 de junho, volume que é quase vinte vezes maior do que a média histórica para esse período. As chuvas interromperam os trabalhos de campo e geraram preocupações sobre a qualidade dos grãos colhidos.
Além das questões climáticas, o mercado também está atento à movimentação dos fundos de investimento. Conforme análise de Jeremias Nascimento, publicada no Investing.com, parte da recente valorização está ligada à recomposição de posições desses investidores, o que aumenta a volatilidade das cotações e intensifica os movimentos de alta. O analista destaca, entretanto, que o comportamento dos fundos é respaldado por fundamentos do mercado, especialmente devido às incertezas sobre a evolução da safra brasileira e aos riscos climáticos nos próximos meses.
Embora a expectativa ainda seja de uma safra robusta no Brasil, o mercado continua sensível a qualquer fator que possa comprometer a qualidade do café ou atrasar a oferta, o que mantém os preços sustentados ao longo da sessão.








