Os preços do café arábica encerraram a sessão de segunda-feira (17) em alta na Bolsa de Nova York, impulsionados principalmente pelas preocupações com a disponibilidade global da commodity no curto prazo. Os ganhos mais significativos ocorreram nos vencimentos mais próximos. O contrato de setembro fechou o dia com alta de 700 pontos, cotado a 345,10 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o dezembro subiu 360 pontos, encerrando com 317,90 cents/lb.
Durante este primeiro pregão da semana, os futuros do arábica alcançaram o maior nível em seis semanas no mercado futuro norte-americano. Entre os principais fatores que sustentaram essa alta, está o ritmo mais lento da colheita brasileira. Dados de consultorias privadas e cooperativas continuam a indicar algum atraso nos trabalhos de campo, limitando a oferta da safra atual e apoiando as cotações.
No entanto, as condições climáticas têm permitido um desenvolvimento melhor do que há algumas semanas, o que torna o ímpeto dos ganhos mais contido neste momento, além de continuar alimentando a volatilidade nos mercados internacionais. A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro alcançou 81% até o dia 14 de agosto, conforme boletim técnico semanal da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer).
“Na semana passada, as condições meteorológicas na região de Patrocínio foram marcadas pela persistência do tempo firme e baixa ocorrência de chuvas. Entre os municípios monitorados, apenas Uberaba registrou precipitação, com um acumulado de 0,3 milímetros. Até o dia 20 de agosto, a expectativa é de continuidade do tempo seco, sem previsões de chuva para os municípios analisados, e as temperaturas máximas devem variar entre 28°C e 30°C, enquanto as mínimas tendem a cair gradualmente ao longo dos próximos dias, variando entre 8°C e 15°C”, informou o boletim da Expocacer.
Outro fator relevante veio dos estoques certificados pela ICE. Os estoques de café arábica caíram para 231.340 sacas nesta segunda-feira, o menor volume em cerca de dois anos e nove meses, reforçando a percepção de aperto na oferta disponível para entrega. Em contrapartida, os estoques de robusta aumentaram para 4.537 lotes na última sexta-feira, atingindo o maior nível em cinco meses.
Paralelamente, o mercado continua a monitorar os efeitos do terremoto que atingiu a Colômbia na semana passada. Algumas das áreas afetadas representam cerca de um quarto da produção colombiana de café e, segundo autoridades locais, a plena recuperação do escoamento do café colombiano pode levar ainda semanas.
As exportações colombianas pelo porto de Buenaventura foram parcialmente retomadas, mas o fluxo ainda ocorre de maneira intermitente e limitada. O porto é responsável pela maior parte das exportações de café do país. De acordo com informações citadas pelo portal internacional Barchart, não houve danos significativos às estruturas de processamento e beneficiamento, mas os problemas logísticos continuam sendo monitorados pelo mercado.
A segunda-feira foi marcada por altas quase generalizadas nas commodities agrícolas, acompanhando a elevação do petróleo, que subiu quase 3%, e o café não ficou de fora. Assim, na Bolsa de Londres, o dia terminou com aumentos de US$ 49,00 a US$ 52,00 por tonelada nos principais vencimentos, levando o novembro a US$ 3644,00 por tonelada, enquanto o março foi a US$ 3603,00.








