A colheita de café arábica chegou a 99% na área de atuação da Expocacer, no Cerrado Mineiro, até 11 de setembro. Enquanto os trabalhos entram na reta final, técnicos também observam uma nova florada, antecipando decisões de manejo para o próximo ciclo.
Os dados foram divulgados pela Expocacer e publicados pelo Notícias Agrícolas. O levantamento mostra uma safra marcada por grande participação do café recolhido do chão, interrupções provocadas pela chuva e diferenças de intensidade da florada entre as lavouras.
Colheita chega a 99% no Cerrado Mineiro
Segundo os técnicos de campo da Expocacer, 99% da colheita de arábica havia sido concluída até 11 de setembro. Cerca de 90% da produção já estava beneficiada, e o rendimento médio alcançava 455 litros por saca beneficiada de 60 quilos, resultado considerado um dos melhores dos últimos anos.
Nesta fase, o avanço tende a ser mais lento porque a maior parte das propriedades já encerrou a colheita. Restam áreas pontuais e operações de recolhimento, especialmente onde o café caiu no chão.
Café de chão representa parcela importante do volume
A Expocacer estima que aproximadamente 30% do volume total da safra corresponda ao café de chão. Desse montante, cerca de 80% já havia sido recolhido até a data do levantamento.
A participação elevada do café de chão contribuiu para um índice médio de catação de aproximadamente 21%. O dado reforça a importância de organizar as últimas operações sem comprometer a qualidade, a secagem e a separação dos lotes.
Chuvas dificultaram o recolhimento
As chuvas registradas entre 5 e 9 de setembro interromperam temporariamente parte das atividades. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego de máquinas e inviabilizou algumas operações mecanizadas.
Na prática, o produtor precisa equilibrar a urgência de concluir a colheita com a preservação do solo e a segurança das operações. O tráfego em condições inadequadas pode aumentar compactação e danos, além de dificultar o acesso a áreas ainda pendentes.
Nova florada aparece nas lavouras
Os técnicos observaram uma nova florada equivalente, em média, a 33% do potencial total de floração do Cerrado Mineiro. A intensidade não foi igual em todas as áreas.
Lavouras de carga baixa ou de safra zero apresentaram florada mais intensa e uniforme. Em áreas com carga produtiva elevada, a abertura foi menor. A diferença mostra que o estado da planta e o histórico produtivo influenciam a resposta ao clima.
Se as precipitações continuarem, uma nova abertura de flores poderá ocorrer e representar também cerca de 33% do potencial. O percentual restante deverá acontecer entre outubro e novembro, conforme a avaliação técnica divulgada.
Planejamento do próximo ciclo começa mais cedo
Manejo nutricional
Como as primeiras floradas ocorreram de forma antecipada, os técnicos recomendam que o produtor adiante o planejamento dos manejos nutricionais. A distribuição de corretivos e o início das adubações devem ser organizados considerando a condição real do solo e a disponibilidade de umidade.
O momento da aplicação precisa ser definido com orientação técnica e de acordo com análise de solo, exigência da lavoura e condições climáticas. O artigo não substitui a avaliação individual da propriedade.
Monitoramento de pragas
A recomendação também inclui intensificar o monitoramento da broca-do-café. O acompanhamento deve considerar a presença da praga, o estágio dos frutos, o histórico da área e as orientações técnicas aplicáveis à propriedade.
Os profissionais ainda alertam para a possibilidade de maior desuniformidade de maturação na próxima safra. Talhões com floradas em momentos diferentes podem exigir observação mais cuidadosa durante o desenvolvimento e a colheita.
Clima continua sendo o principal ponto de atenção
O Cerrado Mineiro registrou retorno das chuvas depois de um período de temperaturas elevadas e baixa disponibilidade hídrica. Em Patrocínio, o acumulado de setembro chegou a 43,1 milímetros até 11 de setembro, acima dos 35,9 milímetros observados no mesmo período da safra anterior.
A distribuição das precipitações, porém, foi irregular. A previsão mencionada pela Expocacer indicava baixos volumes nos dias seguintes, alternando períodos mais quentes, nebulosidade e chuva.
Os técnicos apontam incertezas para os próximos meses, especialmente diante da possível influência do El Niño. O fenômeno pode interferir no pegamento da florada, na formação dos chumbinhos e na granação dos frutos, mas ainda não é possível dimensionar perdas ou definir quais regiões serão mais afetadas.
O que o produtor deve acompanhar
- conclusão do recolhimento do café de chão e preservação da qualidade;
- umidade do solo antes do tráfego de máquinas;
- intensidade e uniformidade das floradas por talhão;
- momento adequado para corretivos e adubações;
- presença e evolução da broca-do-café;
- previsões de chuva, temperatura e disponibilidade hídrica.
Para produtores de Manhuaçu, da Zona da Mata e de outras regiões, os percentuais do Cerrado Mineiro servem como referência de acompanhamento, mas não devem ser aplicados automaticamente a todas as lavouras. Cada área tem calendário, altitude, variedade, carga produtiva e condição climática próprios.
Leia também a análise do Café Manhuaçu sobre El Niño, antecipação da florada e sanidade do café.
Reta final da safra exige atenção à próxima florada
Com 99% da colheita concluída na área monitorada pela Expocacer, o Cerrado Mineiro começa a concentrar esforços no recolhimento final, no beneficiamento e na preparação do novo ciclo. A florada antecipada abre uma janela importante para planejamento, mas também aumenta a necessidade de monitorar clima, nutrição, pragas e uniformidade.
O cenário ainda pode mudar com a distribuição das chuvas e as temperaturas dos próximos meses. Por isso, a decisão mais segura é combinar observação de campo, análise técnica e informações meteorológicas antes de executar cada manejo.
Fonte consultada: Notícias Agrícolas, com dados da Expocacer.



















