O Ministério Público de Minas Gerais recomendou reforço no controle da compra, produção e plantio de mudas de café em Manhuaçu e região. O alerta envolve a presença de nematoides do gênero Meloidogyne em mudas e orienta viveiros, responsáveis técnicos, sindicato rural e cafeicultores a adotarem medidas para evitar a disseminação da praga.
O documento foi assinado em 15 de setembro de 2026 pela 6ª Promotoria de Justiça da Comarca de Manhuaçu, sob responsabilidade do promotor Alexandre Figueiredo Morato. A recomendação teve origem em informações encaminhadas pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).
O que motivou o alerta em Manhuaçu
Segundo a recomendação divulgada pelo Ministério Público, análises realizadas no fim de 2025 identificaram Meloidogyne em amostras de raízes de mudas de café de um viveiro da região. O documento informa que o lote apontado como contaminado não foi descartado e acabou sendo comercializado.
O caso levou o Ministério Público a orientar os diferentes elos da cadeia sobre a necessidade de impedir que mudas contaminadas sejam vendidas ou levadas para novas áreas de produção.
Por que os nematoides preocupam o cafeicultor
Os nematoides atacam o sistema radicular do cafeeiro. Quando as raízes são afetadas, a planta pode ter mais dificuldade para absorver água e nutrientes, apresentar enfraquecimento e perder capacidade produtiva.
O problema também preocupa porque o material de plantio pode transportar a praga para longas distâncias. Uma muda contaminada pode levar o nematoide a uma área que ainda não apresentava o problema, ampliando o risco para talhões e propriedades próximas.
Sinais não substituem a análise
Amarelecimento, murcha, desenvolvimento irregular e baixo vigor podem ocorrer em plantas com problemas radiculares, mas esses sinais não permitem identificar sozinhos a causa. A confirmação depende de avaliação técnica e de exame adequado.
Por isso, o produtor não deve tentar diagnosticar ou tratar uma área apenas pela aparência das plantas. Em caso de dúvida, a recomendação é procurar o IMA ou um profissional habilitado.
O que foi recomendado aos viveiros
Para os viveiros de mudas de café, a recomendação é comercializar somente material acompanhado de comprovação fitossanitária e laudos laboratoriais que atestem a ausência do nematoide. Lotes com resultado positivo devem ser descartados e destruídos sob supervisão do responsável técnico, com comunicação ao IMA.
A documentação é importante porque permite rastrear a origem das mudas e comprovar que o material foi submetido aos controles previstos. O produtor deve guardar os documentos relacionados à compra.
Orientações para os cafeicultores
O Ministério Público recomenda que os cafeicultores não comprem mudas sem comprovação fitossanitária. No momento da aquisição, devem exigir:
- nota fiscal da compra;
- Permissão de Trânsito Vegetal (PTV), quando aplicável;
- documentação e laudo laboratorial que comprovem a condição fitossanitária das mudas.
Outra orientação é realizar amostragem do solo para exame nematológico antes da implantação de novos plantios. Essa etapa ajuda a conhecer a condição da área e a tomar decisões de manejo antes de investir no estabelecimento da lavoura.
Responsabilidades do sindicato e dos responsáveis técnicos
O Sindicato dos Produtores Rurais foi orientado a informar viveiristas e responsáveis técnicos sobre as exigências e a desenvolver ações de orientação para que os produtores exijam nota fiscal e PTV ao comprar mudas.
A recomendação também alcança os responsáveis pela produção e pela assistência técnica dos viveiros. O objetivo é reforçar que a prevenção depende de controle na origem, acompanhamento técnico, registro e comunicação aos órgãos de defesa agropecuária.
Prazo para resposta ao Ministério Público
Com exceção dos cafeicultores, os destinatários da recomendação têm prazo de 10 dias úteis, contado a partir da notificação, para informar ao Ministério Público se concordam com o documento e, em caso positivo, apresentar as providências adotadas.
O não atendimento pode levar à adoção de medidas extrajudiciais ou judiciais, conforme informado na recomendação. A orientação não substitui a leitura do documento oficial nem o aconselhamento técnico e jurídico específico.
Cuidados antes de implantar uma lavoura
Antes de levar mudas para a propriedade, o produtor pode organizar uma lista de conferência:
- verificar a procedência e a regularidade do viveiro;
- solicitar nota fiscal, PTV e documentação fitossanitária;
- confirmar a existência de laudo laboratorial para o lote;
- manter os documentos arquivados para rastreabilidade;
- avaliar o solo antes do plantio;
- buscar orientação do IMA em caso de dúvida.
Esses cuidados são especialmente importantes quando o plantio envolve áreas novas, renovação de talhões ou aquisição de grande quantidade de mudas.
Prevenção custa menos do que recuperar uma área
Depois que um nematoide se estabelece no solo, o manejo tende a ser mais difícil, caro e demorado. A escolha de mudas sadias é uma das primeiras barreiras para proteger a lavoura e reduzir o risco de levar o problema a novas áreas.
Para a cafeicultura de Manhuaçu e da Zona da Mata, o alerta reforça a importância da sanidade vegetal, da rastreabilidade e da responsabilidade compartilhada entre viveiros, técnicos, produtores e órgãos de fiscalização.
O Café Manhuaçu continuará acompanhando orientações oficiais sobre a compra de mudas e a proteção das lavouras regionais. A cotação oficial exibida no site possui processo próprio de atualização e não foi alterada por esta publicação.
Fontes consultadas: Portal Caparaó, com informações do MPMG e do IMA; documento da recomendação; e Instrução Normativa MAPA nº 35/2012.



















