A queda nos preços do petróleo e o avanço da colheita no Brasil estão pressionando as cotações e dificultando a comercialização no campo.
O mercado futuro do café fechou a sexta-feira (17) com uma queda acentuada nas bolsas internacionais, refletindo mudanças significativas no cenário global e brasileiro.
Na Bolsa de Nova York, o café arábica terminou em forte baixa. O contrato para julho/26 foi cotado a 284,80 cents/lb, com uma queda de 560 pontos. O contrato de setembro/26 encerrou a 273,50 cents/lb, recuando 385 pontos. Por sua vez, o dezembro/26 fechou a 266,20 cents/lb, com uma baixa de 275 pontos.
Na ICE Europa, o robusta também apresentou perdas significativas. O contrato de maio/26 foi encerrado a US$ 3.412 por tonelada, com uma queda de 62 pontos. O julho/26 terminou a US$ 3.282 por tonelada, com um recuo de 65 pontos. O setembro/26 fechou a US$ 3.220 por tonelada, com uma baixa de 58 pontos. O contrato de novembro/26 encerrou a US$ 3.158 por tonelada, perdendo 62 pontos.
As movimentações do dia foram influenciadas por uma combinação de fatores. No cenário internacional, a reabertura do Estreito de Ormuz resultou em uma queda de cerca de 10% nos preços do petróleo, reduzindo os custos logísticos e retirando suporte das commodities agrícolas. Além disso, o mercado passou a perceber um menor risco de restrição na oferta global, o que contribuiu para a pressão sobre os preços.
No contexto brasileiro, o avanço da safra se torna cada vez mais relevante na formação das cotações. Com a colheita em andamento, cresce a expectativa de aumento na oferta a curto prazo, o que já está sendo precificado nas bolsas internacionais.
Entretanto, no mercado interno, a reação não é automática. O ritmo de comercialização permanece moderado, com os produtores adotando uma postura cautelosa diante da recente volatilidade e dos níveis atuais de preços. A queda nas bolsas nem sempre se reflete com a mesma intensidade no mercado físico, especialmente neste período de transição de safra.
Outro aspecto que continua a ser monitorado é o câmbio, que tem influência direta na competitividade das exportações brasileiras. A combinação de um dólar mais fraco em alguns momentos e a pressão externa contribui para um ambiente mais desafiador na formação de preços.
O fechamento desta sexta-feira reforça um cenário de ajuste no mercado de café. A redução das preocupações com a oferta global, juntamente com a chegada da safra brasileira e a queda do petróleo, aumenta a pressão sobre as cotações.
O momento requer atenção redobrada. A volatilidade permanece alta e o avanço da colheita, aliado a fatores externos, pode continuar a influenciar o mercado nas próximas semanas, demandando estratégia na hora de comercializar.











